segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

No limite

É normal começar a correr com muita empolgação e, ao sentir os primeiros resultados positivos – como a melhora na performance e no condicionamento físico – aumentar gradativamente o tempo, a velocidade e a intensidade dos treinamentos, até chegar ao limite. Muitas vezes fazemos isso sem orientação profissional, certos de que teremos sucesso. Mas é bom tomar cuidado: o que pode parecer paixão pela nova pratica significa, em muitos casos, puro exagero.
Esse “excesso de vontade” pode significar que você sofre com o overtraining, inimigo número 1 da qualidade no esporte. Ele aparece quando a atividade física extrapola os limites suportados pelo organismo, com a sobreposição da necessidade de repouso e de recuperação pelo alto índice de trabalho muscular e cardíaco.
Cansaço ou distúrbio grave?
Como não existe um diagnóstico específico para identificar o overtraining, alguns métodos são indicados para que você possa perceber a existência do problema. “Quando um corredor começa a treinar exaustivamente e nem assim melhora seu tempo, há algo errado. Quanto mais ele se dedica, percebe que mais o rendimento cai”, explica André Pedrinelli, ortopedista, traumatologista e médico do esporte da USP, sobre o sintoma mais comum do overtraining. Ele conta que há outros sinais típicos que também podem ser observados, como a perda de peso, a dificuldade na recuperação da energia perdida durante a atividade física, além de irritabilidade e distúrbios do sono.
“São todos sinais clínicos precoces que nos permitem identificar o distúrbio nos atletas”, afirma o especialista. Segundo André, também é possível realizar exames clínicos para fins de diagnóstico, mas não é possível estabelecer limites para análises laboratoriais: as taxas hormonais e metabólicas são totalmente variáveis de pessoa para pessoa, e qualquer avaliação deve ser feita caso a caso.
E como corrigir?
“Ouvir” o corpo é essencial. Quando verificadas a queda no desempenho e na imunidade, além do surgimento de lesões por stress e a dificuldade de concentração, por exemplo, deve-se fazer uma pausa. “Não há um tempo estimado para este período de repouso. Ele vai variar de acordo com o rendimento individual e com o nível de cansaço psicológico e muscular de cada atleta”, lembra André Pedrinelli.

A partir daí, será necessário reajustar os treinamentos e respeitar os limites do corpo, além de manter uma alimentação correta. Comer bem ajuda a trabalhar o gasto energético proporcionalmente à sua reposição, e também garante bem-estar e melhora no desempenho. A cautela, antes de tudo, é essencial para retomar as atividades e voltar a treinar sem medo.

Juliana Saporito

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